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Em “James e o Pêssego Gigante” o rapaz vê os seus pais a serem comidos por um rinoceronte e vai viver com uma tia maléfica. Em “As Bruxas”, um menino órfão depara-se com algumas bruxas e tenta fintá-las com os conselhos da avó. Em “Matilda”, a rapariga vive com pais negligentes e estuda numa escola em que as crianças são atiradas pela janela. Nos enredos de Roald Dahl a infância infeliz é uma constante. E há um motivo. Quando ainda era pequeno, Roald Dahl (nascido em Gales, com pais noruegueses) enfrentou a morte da irmã e logo a seguir a do pai. Começou depois a estudar num colégio onde era maltratado pelo diretor. A vida avançou, mas nem depois de casar e ter cinco filhos Dahl teve sossego: um dos filhos sofreu uma grave lesão cerebral depois de ser atropelado, uma das filhas morreu aos sete anos e a mulher teve três derrames cerebrais durante a última gravidez. Tanta desgraça fez do escritor britânico alguém frio: maltratava uma das filhas perguntando-lhe porque não conseguia ...